Alô, alô, som, testando. 1, 2, 3, alô, alô, som, testando.
No ar.
São exatamente duas horas e 42 minutos da madruga na capital baiana e esta impoluta emissora retorna , em edição extraordinária, para informar que a verdade tem que ser dita. E, antes que o dia amanheça, eu a direi logo no primeiro parágrafo. Seguinte é este: o principal responsável pela vitória do Rubro-Negro Baiano na epopéia de ontem à noite no Santuário Ecológico foi exatamente este locutor que vos sopra profecias e outras mumunhas. Sim. Modéstia às favas. Fui eu mesmo quem garantiu os três pontos na emocionante e ordinária peleja realizada há poucos instantes.
Aos fatos.
Primeiro. Na última transmissão, adverti que era chegado o momento de acabar com a síndrome de Irmã Dulce. Isto é: parar de ajudar os desvalidos. A partir de agora, a receita era uma só, independentemente se a equipe era forte ou fraca: Sopa de Tamanco. Pau Puro. E o Brioso Vitória não teve pena da complicada situação do Furacão. Meteu uma goleada de 2X1, sem dó, nem piedade.
Antes que algum corneteiro acuse-me de vangloriar-me por algo subjetivo, vamos aos acontecimentos factuais da batalha.
Seguinte. Quando o lateral direito e careca da agremiação paranaense abriu o placar, com um estranho gol olímpico, lá pelos 40 minutos do primeiro tempo, houve um silêncio sepulcral no Barradão. Até os mais bravos e crédulos, achavam que tudo estava perdido. Foi então que saquei do coldre dois cepacóis, gargarejei, e bradei em casto e alto espanhol: “Carajo, vamos, vamos adelante para que salgamos em la lucha avante”.
Como 87,92% dos torcedores do Vitória têm, pelo menos, o terceiro grau completo e falam fluentemente, por baixo, oito idiomas, a arquibancada repetiu comigo em uníssono: “Carajo, vamos, vamos adelante para que salgamos em la lucha avante”.
Os jogadores, porém, fizeram ouvidos de mercador. E terminamos o primeiro tempo atrás do placar.
Ao perceber que a a erudição não iria resolver nosso grave infortúnio, abdiquei de minha condição de ateu e, nos 15 minutos do intervalo, orei para SÃO GEORGE ROMERO, aquele que mexe com zumbis e outras coisas sobrenaturais.
E minhas preces foram ouvidas. O goleiro Ney, que havia levado um peru na primeira etapa, fez uma defesa de outro mundo, numa cabeçada de Marcelo SET Cordeiro contra o patrimônio. Em seguida, Marquinhos empatou num bate-rebate infernal. Porém , a glória veio aos 40 e lá vai poeira do segundo tempo. Nas últimas voltas do ponteiro, São George Romero ressuscitou um morto-vivo, Ramon Menezes, que, literalmente, brocou a meta defendida por Galatto, provando que craque é craque e vice-versa.
Assim, o Vitória abandonou as estradas das perdições e voltou à caminhada rumo ao inédito título
Palavras da salvação. Amém.
Boas noites.