Posts de Agosto, 2008

Parem com isso

Agosto 28, 2008

Nem mesmo o extrato de minha maltratada conta bancária tem me trazido tantos aborrecimentos quantos esta dança de rato sobre o aluguel do Barradão. Que agonia da porra! Todo dia é uma chibança – e o mais grave, envolvendo dinheiro público em tenebrosas transações que envergonham toda a Bahia e uma banda de Sergipe.

Já havia tratado do tema AQUI, Ó e tinha dado o assunto por encerrado. Na ocasião, os canalhas silenciaram, dando a impressão de que a questão estava resolvida. Mas, foi apenas um silêncio estratégico. Agora, a putaria volta, com promessa de investimentos da Petrobras. É graça uma porra dessa?

Como estou muito mais interessado no jogo de sábado contra o Ipatinga, não gastarei meus parcos neurônios para protestar contra esta imoralidade.

Porém, para não deixar passar em branco, vou publicar aqui um texto que fiz na época para meu outro blog

 WWW.INGRESIA.OPENSADORSELVAGEM.ORG

Ouçam.

GOVERNADOR, PARE COM ISSO

Depois que a pantera da ingraditão fez com que o tão propalado Grande Funeral desse chabu, tinha cá pra mim que ACM era página virada e descartada do nosso ordinário folhetim. Ledo e ivo engano. Neste 20 de julho de 2008, exatamente um ano após Malvadeza ter batido as botas (ou seriam os coturnos?), constato que o espectro do carlismo ainda ronda a Bahia. E como não poderia deixar de ser, a herança que fica é a de Itaparica. Ou seja: madeira.

É óbvio que não me refiro somente à pesquisa do Vox Populi publicada hoje e que coloca seu (lá dele) neto em primeiro lugar na corrida sucessória de Salvador. Nécaras. Isto é apenas o sintoma da doença  que pode ser percebido na superfície. Escrevo estas mal traçadas para tratar de algo mais, digamos, profundo e doentio: o enraizamento das práticas nefastas do carlismo no coração da Bahia.

Pois bem. Nos incontáveis  séculos de domínio de Cabeça, uma das práticas mais execráveis era a mistura do público com o privado e  vice-versa. Ele emulou Luís XIV para pior. L`État c`est moi virou L`État c`est moi e minha famiglia. A Bahia, aliás, virou uma grande, mas não tão generosa famiglia. Aos outros apaniguados, restavam uns sobejos, umas esmolas do Godfather para garantir-lhes a sobrevivência e subserviência.

Na longa lista de delitos, um do que mais chamava a atenção era exatamente a privatização de ruas, canteiros e outros espaços públicos para a exploração de estacionamento particular. Não vou pesquisar agora, pois o tempo urge e ruge, mas lembro-me de uma matéria no Jornal A tarde sobre o fechamento de determinada área na paralela em um dia destas intragáveis chibanças axezisticas que lá ocorrem.

Pois muito bem. Nas eleições de 2006, a maioria dos baianos deu um basta à continuidade deste perverso projeto. O “NÃO das urnas, porém, parece que não chegou aos ouvidos dos novos mandatários.

Na última semana, por exemplo, as portas dos palácios governamentais foram abertas exatamente para celebrar esta espécie de ação entre amigos. Secretários, assessores e demais asseclas foram mobilizados para tratar  dos interesses e negócios  de duas entidades privadas, com prejuízo para o já tão maltratado erário.  

Sim. É exatamente da PROPOSTA INDECENTE de cessão do Manoel Barradas que estou falando. Como é possível que um governo, que se diz republicano, chantangeia (a palavra é esta mesma: chatagem) um clube de futebol para beneficiar outro, usando dinheiro público?

A imprensa fala em uma sangria de R$ 5 milhões. Não sei o valor e pouco me importa. O fato, governador, é que o senhor foi eleito para defender os interesses da Bahia -  e não do Bahia.

Frase da Semana

Agosto 26, 2008

Depois de mais uma tensa reunião, o brioso Conselho Editorial desta intimorata emissora decidiu entregar o cobiçado prêmio de melhor frase da semana para o ouvinte Jucimar Santos. Ouçam.

“Pra treinar um time em que a torcida come grama, só mesmo um Cavalo”

Palavras da Salvação.

Como o Diabo gosta

Agosto 24, 2008

 

Antes de começar a mais esperada resenha esportiva da Bahia e de uma banda de Sergipe, uma solicitação: alguém precisa tomar uma providência em relação à baixa velocidade dos relógios nos momentos em que o Esporte Clube Vitória está brocando. Não é possível continuar do jeito que está. Ontem mesmo, os 15 minutos finais do jogo contra o Figueirense demoraram mais de quatro horas. Um absurdo.  Agonia semelhante este ano, que eu me lembre, só aquela depois do jogo contra o Itabuna no baianinho. Será que não existe um relojoeiro decente neste país para mandar parar esta palhaçada? Vá matar o Satanás.

E por falar no Coisa Ruim, o jogo no Orlando Scarpeli ontem foi do jeito que Ele gosta: de assombrar.  O primeiro fenômeno paranormal aconteceu logo no início da partida. Marcelo Cordeiro, que não dava um chute desde a revolução de 1932, resolveu arriscar de fora da área. O outro Marcelo, o Batatais, que não atuava desde a Revolução Francesa, tentou tirar o pé da bola, errou e a menina subiu. Ele não contou dois tempos. No melhor estilo Leônidas da Silva, meteu uma Monark para o filó.  Um golaço dos inferno.

Mas, quem estava mesmo com o capeta no corpo era Rodrigão, que não jogava bem desde a Idade Média, o Tempo das Trevas. Aliás, a bem da verdade, a quizila começou assim que ele separou de Hortência. O rapaz parecia que tava amarrado. Um ebó dos seiscentos. Ontem, porém, ele mostrou que estava disposto a exorcizar os demônios. E correu como um erê, lembrando os bons momentos do primeiro semestre.

Depois de uma acurada e diabólica pesquisa, descobri que o responsável pelo retorno do bom e aguerrido futebol  de Rodrigão é um argentino que o Vitória acaba de contratar. Ao saber que poderia ficar no banco para um sujeito que anda fazendo ISSO AQUI, Ó, o ex-da rainha do basquete subiu nas tamancas e resolveu voltar a brocar.

E as energias sobrenaturais ontem estavam tão fortes a nosso favor que nem mesmo a amiga de minha mulher (aquela do jogo contra o Cruzeiro, lembram?) conseguiu distrair minha concentrada equipe. E olha que ela voltou com a mesma ladainha dos cremes, cutículas e congêneres. Mas, meu brioso e masculinástico time nem deu bola. E jogou como o diabo gosta.   

 

Os números não mentem

Agosto 21, 2008

Não sei se é esta lua que anda escondida sob as nuvens ou se é este conhaque ordinário, mas o fato é que ando aborrecido como o diabo com o futebol brasileiro. A bem da verdade, nem tanto com o pebolismo, mas sim com os (mal) ditos comentaristas – estes idiotas da objetividade que estão reduzindo o velho e bom ludopédio a uma mera questão aritmética.

Já há algum tempo que não ouço ou leio uma análise percuciente (recebam, um percuciente, sacaninhas) sobre uma partida. Só se fala em números. “O time X deu 826 toques de bola em direção à lateral”, diz um. “Já a equipe Y conseguiu realizar 267 assistências no primeiro tempo”, argumenta outro. E por aí vai. Ou melhor, páro. Porque realmente é impossível suportar tantas asneiras. Sou de um tempo em que os analistas entendiam de futebol – e não de matemática. Armando Oliveira, por exemplo.

Hoje, o nome mais respeitado (lá pras nega dele) é um tal de PVC, alcunha muito apropriada para marca de tubos e conexões. O referido cidadão não é capaz de um mísero lampejo sobre o que acontece nos noventa nas quatro linhas. Porém, decora nomes, datas e números, como um google pebolístico. Se for decorar por decorar, eu também vou entrar nesta jogada. Recebam a escalação de alguns craques do Bonsucesso de 1957: Quarentinha, Nicola, Pedro Bala, Valdemar, Nilo e chega.

Aliás, só faço estes prolegômenos (receba, rebanho) por conta deste início de segundo turno do Brasileirão. Se formos analisar somente pelos números, como querem os imbecis, o Esporte Clube Vitória está com um campanha idêntica à do primeiro: duas partidas (uma em casa e outra fora) e apenas um ponto conquistado. No entanto, quanta diferença. O time vibrante e vibrático (royalties para França Teixeira) deu lugar a uma equipe sonolenta e sem criatividade.

É, amigos, os números não mentem, mas, quando torturados, confessam.

Voltando ao time do Vitória, recorro aos locutores de antanho: “a equipe perdeu o elan”. Ontem à noite contra o Sport foi uma vergonha. E não digo isso por causa do empate em casa. Nécaras. O Vitória já foi derrotado aqui jogando bem melhor e com mais disposição. O fato é que, no jogo de ontem, o Rubro-Negro lembrou dos piores momentos do campeonato estadual. Aliás, desde o segundo tempo contra o Cruzeiro.

Talvez tudo tenha começado antes, com os inescrupulosos empresários (desculpe-me a redundância) mostrando as verdinhas para os ávidos dirigentes e pertubando o psicológico da equipe. Neguinho só quer dar pique para assinar contrato na Europa. Dinei já seduzido pelos numerários e se picou para o Celta de Vigo.

É verdade os números não mentem, mas, quando em grande quantidade, seduzem.

Por falar em número hoje é dia 21 de agosto. Vamos torcer para os números andarem bem rápido e, assim, chegar logo no 30 de agosto, fechando esta maldita janela de transferência.

CARTA ABERTA À MINHA MULHER

Agosto 17, 2008

 

Há cerca de três ou oito séculos, não me lembro bem agora, o menino Álvaro de Campos decretou a seguinte e sábia sentença: todas as cartas de amor são ridículas. Mas, por problemas graves de audição e por ser ridículo, não lhe dei ouvidos. Assim, retorno à esta profética tribuna para rabiscar algumas palavras para minha amada.  

Antes, porém, voltemos no tempo  e analisemos os 40 minutos iniciais da peleja de ontem  entre Vitória X Cruzeiro, no Mineirão. Pois muito bem. Os ponteiros do relógio não marcavam nem cinco minutos e já estava claro para  todo o Estádio quem comandava a partida. Com forte marcação, bons toques e rápidos contrataques, o Leão encurralava a raposa em seus domínios. A superioridade Rubro-Negra era tanta e tamanha  que o corno do locutor, doente pela equipe celeste, estava atônito.

E olhe que, mesmo diante do baile do Leão, o referido ainda tentou disfarçar quando o assoprador de apitos deu início ao jogo. Mas, ato contínuo,  Adriano já perdia um gol incrível cara-a-cara com o goleiro Fábio. Logo em seguida, foi a vez de Willians Santana cabecear de forma bisonha uma bola que bastava empurrar para o filó. E o massacre seguia sob minhas orientações. O único problema é que a equipe, ao chegar na zona do agrião, parecia não escutar meus comandos. Nada, porém, que  a farta distribuição  aparelhos auditivos telex não resolvesse.

Acontece que errei. Por descuido, deixei minha amada convidar uma amiga para apreciar a peleja em meu sacrossanto lar. Meus amigos, vou confessar: que plantão rigoroso. Enquanto o Vitória botava o Cruzeiro na roda, elas, ao invés de se ajoelharem diante  do emocionante espetáculo, conversavam sobre os assuntos mais estapafúrdios. Não bastasse isso, ainda ciscavam para lá e pra cá em movimentos estranhos e frenéticos. E a conversa, igual a Zinho Encerradeira, rodava, rodava e não saia do lugar.

Foi então que cometi meu segundo e fatal erro. Elas estavam no auge de algum assunto de extrema importância, como a eficácia de um novo creme hidrante para retirada de cutículas sem dor, quando eu disse Chega! 

Após ouvir este meu grito de independência, a patroa botou as mãos na cintura e se postou em frente à TV.  Com a visão obnubilada (recebam , sacaninhas, um obnubilada pelas caixas) fiquei impossibilitado de orientar a equipe. Após uma desatenção da defesa, que tentava ouvir sem sucesso minhas instruções, deu-se a tragédia. Eram exatamente 40  minutos e não sei quantos segundos quando Charles deu o primeiro e fatal chute do Cruzeiro  na primeira etapa.

Depois disso, não preciso dizer mais nada. Mancini tirou Adriano, botou Rodrigão, enfim, enlouqueceu. E só não perdermos de mais por um milagre.

É por tudo isso, meu anjo, que escrevo esta amorosa correspondência para fazer a seguinte e  encarecida solicitação: em nome dos nossos vinte e pouco anos de convivência e de nossos seis filhos, não chame mais nenhuma amiga para assistir aos jogos do Vitória aqui em casa.

Já vi diversos relacionamentos terminarem por muito menos. Deus lhe pague.