Noves fora as presepadas no quartier latin, o ano da graça de 1974 está para o futebol assim como o de 1968 está para as chibanças comportamentais: um verdadeiro marco revolucionário.
E quando falo em revolução do ludopédio é óbvio que não me refiro ao tão aclamado Carrosel Holandês. Nero ar. A referida seleção apenas copiou um sistema desenvolvido no sertão baiano, conforme expliquei neste tratado futebolístico escrito em 4 de junho de 2005.
Mas, derivo. O que dizia é que 1974 representa um marco na história do balipódio por causa do time Rubro-Negro comandado por Bengalinha. Amigos, em verdade vos digo: Jamais houve na história do futebol tantos craques em uma só agremiação.
Para que vocês tenham uma idéia, os próprios jornalistas que cobriam a competição (esta raça de gente ruim) foram obrigados a admitir a belezura do futebol praticado por aquela equipe. E elegeram três jogadores do Vitória para a seleção do campeonato. Aliás, foi o único time com três atletas no Bola de Prata. Confiram.
Joel Mendes (Vitória); Nelinho (Cruzeiro), Figueroa (Inter-RS), Miguel (Vasco) e Vladimir (Corinthians); Dudu (Palmeiras) e Mário Sérgio (Vitória); Osni (Vitória), Zico (Flamengo), Luisinho (América-RJ) e Lula (Inter-RS).
Se vocês acham que isso ainda é pouco, informo-lhes que o Rubro-Negro baiano dava-se ao luxo de ter um craque da categoria de Jorge Valença no banco. Como dizemos aqui no Nordeste de Amaralina, depois da terceira ou quarta dose, “aquele time era sacanage, pai véi”.
É óbvio que, assim como os grandes times que encantaram o mundo (Hungria de Puskas, 1954, Portugal de Eusébio, 1966, Holanda e Sociedade Esportiva de Irecê, em 1974, e A Canarinho de 1982), o Esporte Clube Vitória não se sagrou campeão naquele ano. Afinal, para as equipes mágicas não importam títulos, mas apenas o essencial: dar espetáculos.
E o vitorioso naquele ano foi exatamente o Vasco da Gama que, no dia 18 de julho de 1974, contou com o auxílio luxuoso de Agomar Martins. O juiz ladrão gaúcho (desculpem tantas redundâncias) cometeu um dos maiores furtos da história da humanidade diante de 46.708 pagantes na Fonte Nova, prejudicando o Vitória contra o time da colina.
Talvez por isso, o apressado e impaciente ouvinte deve estar pensando que o banho de bola que o Rubro-Negro deu anteontem no Vasco foi apenas para se vingar deste referido episódio. Mas, eu lhes asseguro: Não foi apenas vingança, não. Foi, antes de tudo, um ato de generosidade do Leão. Mais um. Afinal, um time para ser um time de verdade precisa conhecer os gramados esburacados das divisões inferiores. É preciso morrer pra germinar. Sofrer e voltar a ser grande.
Por tudo isso, metemos 2 x0 no Vasco de Roberto Dinamite para que ele possa ressurgir em 2010. E, tenho a certeza, retornará exatamente na vaga do Carniça Futebol de Itinga.
E por que queremos o Vasco de volta, e não o outro? Só gostamos de bater em gente grande.
Dezembro 9, 2008 às 8:35 pm |
Muito bom Franciel,
Isso sim que é vingança generosa. srsrrs
Também acredito que o Vasco suba pra série A no próximo ano, mas quem disse que vai ser na vaga do finado? Não sabe que ele vai brigar pra não cair para a sua “CEREI C”?
Dezembro 9, 2008 às 9:29 pm |
1974 ou 1978? Confira aí pra mim.
Dezembro 9, 2008 às 9:31 pm |
1974, o melhor time da história do futebol mundial.
Dezembro 9, 2008 às 11:48 pm |
Sei não, mas sacanagem mesmo é lembrar que o campeonato brasileiro já teve uma seleção em que os melhores que jogavam no país eram os melhores do país, não esse bando de pernas-de-pau.
Dezembro 10, 2008 às 4:57 am |
Queria eu ser vivo em tal época.
Perguntei aqui pro meu velho sobre essa seleção de 74, no que ele só respondeu “Vixeee, aquele time era sacanagem…”
Dezembro 10, 2008 às 9:06 pm |
Verdade Franciel. A velha guarda sempre fala com rancor sobre este episódio de 1974. Nossa vingança foi feita e parabéns pelo texto.
Dezembro 11, 2008 às 10:09 am |
Muito bem lembrado, bardo Diamantino. Aquele foi o apogeu do time campeão de terra e mar de 1972.
Não quero tirar onda de bacana, como diz o farto Gerônimo, vc me conhece, sabe que não dado a esses cabotinismos todos, mas como não confessar de público que estava lá, que vi os dois episódios? O time que empatou em 0X0 com o Vascaindo em 74 era superior ao de 72. Craque do 1 ao 11, ou melhor, do 1 ao 18.
Quanto ao Baêa-Sua-Porra (lá deles), a erudição do Marcelinho se encarregará dos ritos funerários. Nada mais falarei sobre o crepúsculo da última lenda futebolística brasileira. Juro.
Dezembro 11, 2008 às 8:36 pm |
Mano véio, este teu texto tá fuderoso. No bom sentido. Lembro de ouvir este jogo pelo radinho de pilha no interior, onde morava, em Feira de Santana. Uma agonia, de umimpedimento mal marcado quando o nosso atacante ia entrar de bola e tudo.
Belos dias que nãos se apagarão jamais!
É acreditar que 2009 será o ano da consolidação, e, finalmente, de um título nacional.
Podes crer amizade!
Dezembro 12, 2008 às 7:50 pm |
Vasco minha CACETA!!!!!!!!!!!!!!!!!