O GRITO DOS INOCENTES

By franciel

As já frágeis estruturas do futebol brasileiro e, quiçá, sulamericano acabam de sofrer um forte abalo. E o motivo do furdunço é o seguinte: A Diretoria do Esporte Clube Vitória anunciou há poucos instantes a contratação de Neto Baiano e Roque, dois reconhecidos e consagrados gênios do pebolismo. O primeiro, para quem ainda não sabe, era reserva da Ponte Preta, a briosa macaca, que disputou a segunda divisão. Já o outro, com nome de música barulhenta e de lutador de filme ruim, labutou na Terceirona defendendo as cores do Guarani. Em que pese também não estar nos planos desta equipe campinense para o próximo ano, Roque deve ser um ás na lateral-esquerda (ala é a puta que o pariu), pois tem uma CARA de quem conhece e pratica o ludopédio em 18 idiomas. 

Pois bem. Perplexo diante de tão importantes e chocantes acontecimentos, fui buscar respostas nos recantos tradicionais. E mais uma vez consultei runas, búzios, tarôs, almanaques, bulas, evangelhos, capas de Veja, ciganos, pais e mães de santo – mas nada. Ninguém conseguiu explicar os motivos destas contratações que devem modificar até mesmo a inclinação do eixo do planeta terra. Então, para não deixar perpetuar o silêncio neste grave momento da nação, resolvi recorrer à voz divina do povo. E  no glorioso WWW.CANALECVITORIA.COM.BR encontrei, senão a salvação, ao menos um bálsamo para minhas aflições.
Ouçam o que disseram os torcedores. Começemos pela singela mensagem de um ouvinte que se apresenta com o nome de DITO. Às aspas.

TOMARA QUE A MÃE DESSE CARA DE AXÉ (nota da redação: presidente axezeiro do Rubro-Negro, Jorge Sampaio) ABRA AS PERNAS PARA ESSES CARAS,  NETO BAIANO E ROQUE. SÓ ASSIM ELE VAI SENTIR A MESMA A RAIVA QUE TÔ PASSANDO COM ESSAS CONTRATAÇÕES“.

Francklin, um reconhecido poliglota, largou a seguinte.

FILHOS DA PUTA, CADÊ AS CONTRATAÇOES DE PESO COMO NADSON, JOÃZINHO,PET E OUTROS??? NETO BAIANO E ROQUE SÃO PRESENTES DE GREGO!!! DEIXEM MEU VITORIA, FIGLIOS DI TROIA!!! VÀ FAN CULLO!!!”

Rita, uma moça educada, ironizou em caixa baixa.

 “pelo jeito rodrigão e tripodi não vão fazer muita falta, pois os substitutos (roque e neto) estão à altura”.

Mas o protesto voltou à caixa alta com Orlando Furioso que, honrando o sobrenome, não se conteve.

ESTOU PASSADO!!! QUE CONTRATAÇÕES PÉ-DE-CHINELO SÃO ESSAS, SR. JORGINHO CABEÇA DE PICA AMASSADA?

E, para finalizar, um outro, que assinou com o nome de Galera, fez a encarecida solicitação.

GALERA, NÃO VAMOS NOS ESTRESSAR À TOA. LEMBREMOS QUE ELES DISSERAM QUE SÃO QUATRO OU CINCO CONTRATAÇÕES ATÉ O FINAL DO ANO. ENTÃO, AINDA ESTÃO FALTANDO DUAS OU TRÊS. ISTO É SÓ O COMEÇO. VAMOS DEIXAR PARA ENFARTARMOS NA ULTIMA DIVULGAÇAO”.

Pois muito bem. Ao ouvir estas súplicas tão singelas e tão contidas, lembrei-me de outra manifestação,  igualmente singela e contida, protagonizada por um torcedor Rubro-Negro no dia 10 de setembro de 2005.

Seguinte. Na ocasião, o Vitória enfrentava a Portuguesa, precisando apenas de um simples triunfo para se livrar da Terceirona. Toda a torcida no Barradão estava aflita, mas ninguém assistia à peleja com a cara tão enfezada quanto à de um senhor negro e forte, com aparência de estivador. Ao lado da esposa, ele não movia um músculo da face.

Porém, quando o jogo terminou 3 x 3 e o Vitória foi rebaixado para a 3ª Divisão, ele subiu lentamente as arquibancadas, postou-se no último degrau e, na frente da esposa, começou a baixar as calças e a gritar: “ME COMAM, ME COMAM. PODEM ME COMER. UMA PESSOA QUE TORCE PARA UMA PORRA DE UM TIME DESSE SÓ PODE SER VIADO”.

 

P.S. 1 Alô, Jorge Sampaio? Você está me ouvindo? Sim? Então, vou lhe fazer uma proposta irrecusável. Seguinte. A partir de hoje asumo o compromisso de não lhe chamar mais de axezeiro, nem cabeça de pica amassada. Melhor ainda. Prometo que não usarei minhas bobas e hiperbólicas ironias para lhe criticar.
E em troca solicito apenas que você pare, de uma vez por todas, com estas contratações esdrúxulas. E peço não apenas por mim, mas principalmente pela esposa do referido estivador. Ela não merece rever/reviver aquelas cenas indignas que seu (lá dela) marido protagonizou naquele triste início de setembro de 2005.

Ficamos certos assim?

Então, Deus lhe pague.  

P.S.2 Pode acessar constantemente meu outro blog, o WWW.INGRESIA.OPENSADORSELVAGEM.ORG ,para comprovar que cumprirei a minha parte, seu cabeça de…ops, desculpe.

4 Respostas para “O GRITO DOS INOCENTES”

  1. Raimundo Nonato, o Bobão Disse:

    Puta que os pariu. Nada como umas boas gargalhadas no final da tarde de sexta pra preparar o espírito para o final de semana.

    Se a gente for comparar, as contratações do ano passado foram muito mais emocionantes. Harley e Moré comoveram mais. Esse ano, nem isso. Talvez, se um desses nomes que restam para serem anunciados for o de Fausto ou Ávine, a coisa mude de figura.

  2. Lucas Serra Disse:

    Franciel,

    Ainda tenho esperança que venha alguém de peso, ops, não me refiro à Ronaldo. Talvez uns dois jogadores já comprovados a aptos a jogar em um time de 1ª divisão.

    Uma coisa, acho que alguns comentários feitos em determinados sites são feitos por incolores de itinga. Querendo colocar coisas na cabeça dos torcedores do Vitória.

  3. Rogério Silveira Disse:

    Permita-me publicar minha última crônica do leaodabarra.com por aqui

    COLUNA: Vitrola arranhada da salvação
    por Rogério Silveira em 13/12/08 |

    Imaginem a seleção canarinho sem o pentacampeonato. Sei que é difícil, mas façamos este esforço. Se analisarmos bem, não seria nenhuma loucura o destino ter nos pregado essa peça.

    Em 58, ainda sob o choque do inesperado revés de 50, a jovem equipe brasileira não resiste à forte anfitriã, Suécia, que empurrada por cinqüenta mil simpáticos, mas barulhentos torcedores, bate os supersticiosos sul-americanos, assustados por se verem forçados a jogar de azul.

    Em 62, nem deu final para nós. Mais uma vez fomos barrados pelos donos da casa, que dessa feita, ainda vieram reforçados por sessenta mil insanos torcedores com sangue nas bocas e um trio de arbitragem claramente mal intencionado. A equipe andina nos bate de virada, 3×1, com dois pênaltis muito suspeitos.

    Em 70, parecia que tudo iria dar certo. Gérson, Rivelino, Tostão, Pelé e Jairzinho. Quem seguraria aquelas feras? Mas aí os brasileiros viriam a aprender uma palavra estranha:cattenaccio. Os italianos nos seguram num teimoso zero a zero e nos pênaltis levam o tri deles. O Brasil até ali, sem nenhum mundial!

    Vinte e quatro anos depois o Brasil retorna a uma final de Copa. Mas havia uma Itália no meio do caminho… e nos aparecia com a maior carona de fantasma(70 e 82, lembram?). Tudo igualzinho. Zero a zero feio e sorte deles nos penais. No final, quando Baggio estufou as redes decretando o tetra “d’Azzurra” todo mundo se perguntou o que Parreira tinha cabeça ao convocar Dunga e Taffarel de novo, depois do fiasco de 90(perdoem-me deuses do futebol, por blasfemar contra “Taffa”, um dos meus maiores ídolos).

    Este ciclo imaginativo se fecha com 2002 perfazendo a incrível seqüência de três finais perdidas consecutivamente. Imaginem tudo isso em Copas, mas deixem todo o restante como está. Nossas duas medalhas de prata e mais duas de bronze nos jogos olímpicos, nossas oito conquistas em Copa América. De lambuja mais dois títulos da Copa das Confederações.

    Como nos sentiríamos diante dos uruguaios? Sim, sempre acreditei que o nosso mais tradicional e, ainda emendo, o nosso verdadeiro rival é o Uruguai. Nossa rivalidade com a Argentina é coisa recente. Digo mais, é forçada, pela mídia e por nós mesmos, porque ficamos órfãos de nosso verdadeiro rival. O Uruguai deixou de nos fazer frente então buscamos aflitamente alguém para substituí-lo e a Argentina tem feito bem este papel até aqui.

    Perguntei como nos sentiríamos e já dei, eu mesmo, parte da resposta. Com o bi de 50, A Celeste parou no tempo. Enquanto isso, seguindo no campo hipotético, o Brasil colecionou um punhado de boas campanhas em Olimpíadas e principalmente em Copas do Mundo, tendo inclusive chegado a muitas finais. Não levou nenhuma, é verdade. Mas e o que fez o Uruguai desde 50? Ficou admirando 50.

    De quebra, no âmbito doméstico, desde 89 o Brasil começou a se destacar, levando nada menos que cinco das nove edições disputadas da Copa América neste período, contra apenas uma do Uruguai. O Brasil de 89 para cá passou até a se especializar em impor humilhações ao ex-rival, vencendo eles nas finais da Copa América de 89, 99, despachando eles nas semi-finais de 2004 e 2007 e tirando eles da Copa de 94. E os Uruguaios continuam admirando 50…

    Diante deles, sem nenhuma Copa do Mundo no currículo, teríamos a clara sensação de superioridade na história mais recente, mas uma superioridade ainda não totalmente desabrochada. Isso porque os mais velhos e principalmente os mais novos se pegariam no único, porém eficiente argumento: “tenho duas Copas do Mundo, você não tem”. O óbvio ficaria ali escancarado, inclusive para eles. Desde 50, vocês minguaram, minguaram até a insignificância, enquanto nós, além de excelentes campanhas em Copas, passamos a sistematicamente humilhar vocês nas competições locais, ganhando muito mais títulos. E então o desgastado argumento seria repetido mais enfaticamente para ajudar a engolir a enorme frustração de nunca ter visto nada do que a sua seleção já foi um dia.

    O leitor que não é bobo nem nada já percebeu onde quero chegar. Não, nem de longe o Vitória é a seleção brasileira. Muito menos o Jahia chega aos pés do Uruguai, nem mal comparando. Mas creio que o paralelo é perfeito do ponto de vista do sentimento das torcidas.

    Tudo isso, é apenas para lembrar que saiu a tabela da Copa do Brasil. E mais uma vez, mais um ano, eu olho, analiso a tabela, faço projeções e chego à conclusão que é perfeitamente possível. Não com dirigentes patéticos que contratam dessa forma. Continuando assim( quero me sentir otimista, mas a julgar pelo ano passado acho difícil alguma mudança) o argumento velho, batido, arranhado e desgastado ainda ajudará a salvar do ridículo completo o ex-rival por mais um ano.

  4. Mateus Borba Disse:

    Françuá, nunca ri tanto com um texto teu por aqui quanto por esse.

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