O imprevisível está à solta

Janeiro 19, 2009 por franciel

Com o raciocínio obnubilado (recebam, sacanas, um obnubilado logo na primeira linha) pelas chibanças do verão, grande parte dos habitantes desta província lambuzada de dendê não se deu conta de que ontem começou a mais importante epopéia do ano da graça de 2009, a mãe de todas as batalhas: o glorioso campeonato baiano.

Maestro, por favor, bote mais um pouco de agudo na caixa de som que vou repetir a informação para esta gente ensurdecida pelas zuadas dos trios elétricos. Seguinte é este, rebain de miséra:  ontem começou a mais importante epopéia do ano da graça de 2009, a mãe de todas as batalhas: o glorioso campeonato baiano.  E, pelo que vi na primeira das 25 rodadas desta enxuta competição que vai até o dia 3 de maio, vos asseguro: vai ser emoção pra mais de metro. 

Antes de analisar os jogos iniciais, porém, faz-se mister registrar que a torcida do Vitória não mudou nada. Com apenas 2 minutos e 37 segundos de bola rolando no Monumental Barradão, um senhor de meu lado já largava a seguinte. “Este time de Mancini tá todo embolado no meio de campo. Já estou me retando”.

Ato contínuo, veio-me a imagem DAQUELE OUTRO CIDADÃO que subiu as arquibancadas e tirou a roupa. E, após pensar com meus  moralistas botões, orei baixinho. “Senhor Deus dos desgraçados, não deixe que se repita aquela tenebrosa cena do jogo entre Vitória x Portuguesa”.  E Ele, generoso, mandou o apóstolo Washington e mais dois cristão novos, o brioso Neto Baiano e André Luis, para acalmar os nervos do referido torcedor. E Ele concedeu a graça de metermos 3 x 0 na poderosa equipe do Atlético de Alagoinhas.

Mas tem coisa que tá fora do alcance até do Nosso Senhor. Um exemplo? Ouçam.

Jogo praticamente ganho, ouço a voz meiga e atrevida de uma moça que nunca vi mais gorda, até porque se ela tivesse mais 150g não caberia naquele shortinho gerasamba. (Antes de prosseguir o relato, abro este parênteses para um serviço de utilidade pública. Seguinte. Aos incultos, que não conhecem a linha evolutiva da indumentária musical baiana, informo que a referida peça de roupa tem, no máximo, uma área total de 6,38 cm²). Parênteses fechado, vamos dar voz à moça.

Ela olha fixamente para este religioso locutor e diz: “E Milton Nascimento?”. Penso em perguntar: “O que é que tem? Morreu de novo?”. Mas, ela intorrompe minhas divagações e larga: “O show de Milton Nascimento no TCA foi massa. Você foi?”.

Aí, completamente mudo, apenas penso: “Que diabos eu vou fazer num show de Milton Nascimento? Ou melhor. Que porra é que o cantor mineiro tem a ver com a peleja contra o time de Alagoinhas? Ou melhor ainda. O que foi que Milton Nascimento perdeu naquele shortinho?”.  

Estas indagações, que estão sem resposta até agora, mostram que neste Baianão o imprevisível está à solta. E prova disso é que, logo após este meu quase diálogo com  a menina, o Itinga Futebol Clube, contrariando toda a lógica do futebol, conseguiu fazer a porra de um gol e empatar o jogo contra o brioso Itabuna na maior zebra do início da competição.

E eu voltei a orar porque vi que este campeonato não vai ser brincadeira. A orar e pensar que diabos uma moça com um shortinho daquele tamanho estava fazendo no Teatro Castro Alves. E, por conta destas atribulações, acabei me esquecendo de falar sobre a rodada inicial e sobre a soberba apresentação do Rubro-Negro. Fica pra próxima – isto se a moça do shortinho não aparecer novamente para embaralhar meu raciocínio perguntando se eu fui no show de Chico Buarque.

Salve a Bahia, Sinhô!

Humilhado e ofendido pelas pequenezas do Brasil

Janeiro 14, 2009 por franciel

Atendendo a um chamamento do melhor site de futebol do Brasil, O IMPEDIMENTO  , fiz a relação das 10 maiores humilhações sofridas pelo brioso Rubro-Negro na minha concepção. 

A princípio, pensei até em não aceitar a proposta deles, mas, depois que me raciocinei todo, vi que isto serviria como catarse para purgar os fracassos e iniciar de forma vitoriosa este ano da graça de 2009. Recebam.

Humilhado e ofendido pelas pequenezas do Brasil

Das promessas de ano novo, uma das mais inflexíveis foi a seguinte: não quero conta com o ludopédio nos próximos (e longos) 18 dias. E foi negócio sério. Jurei a ninguém menos que São Bill Shankly que só romperia esta abstinência quando começasse uma das competições mais importantes do planeta, o campeonato baiano. Cristão ortodoxo, nada me demovia desta inabalável convicção. Nada, vírgula, quase nada. Como diria a vedete de Santo Amaro, a força da grana, realmente, ergue e destrói coisas belas. E o vil metal entrou em campo tal e qual os zagueiros de antanho, dando chutes e pontapés nas minhas crenças. Amigos, em verdade vos confesso: os astronômicos valores da tenebrosa transação envolvendo os executivos da ImpedCorp e meu impoluto empresário jogaram minhas imutáveis opiniões para o escanteio. E decidi voltar ao pebolismo (eu falei pebolismo, hereges) e listar as 10 maiores humilhações sofridas pelo brioso Rubro-Negro baiano. Porém, igualmente Corisco, não me entreguei facilmente. E, na assinatura do leonino contrato, fiz as seguintes exigências. Primeira. Obedecendo às recomendações da SBPC, realizei um corte epistemológico. Assim, as humilhações tinham que ter carinha de ninfeta, menos de 18 anos. Além disso, não seriam consideradas goleadas para times grandes. Só valia ser humilhado e ofendido pelas pequenezas do Brasil. A bem da verdade, nem mesmo determinadas goleadas para times pequenos entrariam na nominata. Afinal, como não diria a dupla sertaneja Ortega Y Gasset : uma humilhação é uma humilhação e suas circunstâncias. Seguindo esta metodologia, os 6 x 0 sofridos diante do Criciúma, em 2006, e os mesmos 6 x 0 que levamos do Brasiliense, em 2007, não seriam computados, pois nas duas pelejas cumprimos nossos objetivos: subir para a segundona e depois para a tal zelite do pebolismo. Mas, chega de prolegômenos (recebam, sacanas, um prolegômenos pelas caixa de catarro) e vamos às históricas e retumbantes humilhações rubro-negras, que, vos asseguro, humilhará as tragédias dos outros times.

Vitória 1 x 2 Baraúnas (06.04.2005)

Com a moral elevada de quem havia sido semifinalista no ano anterior, o Leão começa a Copa do Brasil de 2005 botano pra vê taúba lascá ni banda. Sem dó nem piedade, mete logo 3 x 0 na poderosa equipe do Confiança de Sergipe. O próximo adversário é a perigosa Associação Cultural Esporte Clube Baraúnas, que acabava de eliminar o América Mineiro. Não bastasse tão importante credencial, o time potiguar ainda possuía no comando do ataque Cícero Ramalho, o Cabañas do Agreste, jogador tão ágil e gordo quanto um porco espinho. Por tudo isso, sabíamos que seria uma labuta dos seiscentos, inclusive porque já havíamos perdido o jogo de ida por 1 x 0. Porém, acreditávamos na classificação. Ou, pelo menos, numa despedida honrosa. Mas, quá. Como diria o menino Xico Sá, tivemos que subir as escadarias do Barradão chupando o chicabon da melancolia.

Vitória 1 x 1 Baraúnas (22.02.2007)

Vindicta ainda que à noitinha. Estava tão certo que havia chegado a hora da vingança contra os potiguares que fiz algo raro nos últimos três séculos: me abstive de comparecer a um jogo do Vitória. E minha crença não era vã. Além do Rubro-Negro ter acabado de subir para a Segundona, a equipe de Mossoró não contava mais com o bara, bara, una, homem-gol Cícero Ramalho. De férias, troquei o conforto do Parque Sócio Ambiental Barradão pelas agruras de outro Parque, o da Chapada Diamantina. E tome-lhe banho de Cachoeira, de rio, de riacho, o diabo. Na sexta-feira cedinho, antes do café da manhã, faço uma estranha solicitação ao dono da pousada. – Moço, ligue a TV aí por favor. – Mas, Sêo Françuel, o senhor não disse que TV era coisa de gente indecente? – Disse, mas é que quero ver os gols e os lances espetaculares do jogo do Vitória de ontem à noite. A maldita apresentadora abre o telejornal assim. “Mais uma vez o Vitória foi eliminado pelo Baraúnas”. – Desliga esta miséria, moço. Televisão não presta pra nada mesmo. E voltei correndo para Salvador, deixando para trás as belas paisagens e mais 50 gramas de produtos não recomendados pela Carta Magna. E pensei com meus humilhados botões: É só abandonar esta porra de time que acontecem estas tragédias.

Vitória 1 x 4 Itinga (21.04.2008 )

Às vezes, o Vitória não respeita nem mesmo minha presença. No mais louco campeonato de todos os tempos, liderávamos o quadrangular final e era chegada a hora de devolver a derrota da fase inicial contra o Itinga. Menos de 15 minutos de jogo, porém, em jogada pelo lado direito, a carniça mete 1 x 0. Faço uso do frasco de Cepacol e começo a alertar Willians, que, de forma improvisada, ocupava a lateral direita (ala é a puta que o pariu). Grito e oriento, como há muito não fazia. No entanto, o infeliz continua deixando a avenida aberta. Grito mais. Nada. Além do surdo, o desgraçado não usa aparelho auditivo telex. Resultado final. Quatro gols pelo mesmo lado. Perdemos a liderança e a vergonha.

Vitória 1 x 1 Itinga (07.08.1994)

Já que falamos da carniça, não há como deixar de fora esta zebra histórica. Antes, porém, um pouco de contextualização e caldo de galinha, que não fazem mal a ninguém. Seguinte. No ano anterior, o Vitória encantou a Bahia e uma banda de Sergipe chegando à final do campeonato brasileiro contra o Palmeiras. E começa o ano da graça de 1994 de forma arrasadora, ganhando quatro partidas seguidas do ex-rival, sendo duas de goleada. Era, portanto, franco favorito à conquista do título, apesar da carniça jogar pelo empate por obra e graça destes impenetráveis regulamentos do campeonato baiano. Mas, minha fé no sucesso era tanta que desobedeci a um dos maiores ensinamentos de meu falecido pai que, nos sermões antes do almoço, sempre alertava. “Meu filho, teime, teime, teime muito, mas não aposte”. Botei uma grade de cerveja na base do bico seco. Aos 46 minutos do segundo tempo já pensava nas gelosas quando Raudinei empata o jogo e cala metade das 100 mil pessoas que lotavam a velha Fonte Nova. Além de perder o título, tive que ficar no Milongas Bar ouvindo a noite toda a seguinte e insuportável canção: “Bem que eu lhe falei, bem que eu lhe falei, que o Vitória se fudia com um Rodinei“. Os analfabetos não sabiam nem o nome do cara que fez o gol. Esta, porém, foi a última glória do Itinga Futebol Clube. O desespero dos zé ruelas é tanto que ainda hoje comemoram este gol, inclusive lançaram até livro. Coitados.

Vitória 2 x 4 Colo-Colo (28.05. 2006)

Tragédias belas são aquelas que ocorrem na minha aldeia. Por isso, as cinco primeiras humilhações escolhidas foram exatamente com times da Bahia e do Nordeste. E encerro esta epopéia regionalista com o relato da decisão do campeonato baiano de 2006, contra o imbatível Colo-Colo de Ilhéus. Ostentando o brasão de atual tetra-campeão baiano, o Vitória começa a competição como franco favorito. Se fosse por pontos corridos, o Leão seria campeão com 30 rodadas de antecedência. Mas, não era. E tivemos que disputar um mata-mata contra a equipe de Nacib. E o quibe entrou. Na verdade, quatro. E de virada. Na ocasião, desenvolvi 10 teorias para explicar a derrota. Quem estiver desocupado, confira aqui, ó. Aos assoberbados, resumo informando que a entrega do título foi um ato de generosidade do Vitória, pois havia 37 anos que uma equipe do interior não se sagrava campeã baiana.

Vitória 0 x 1 Paraná (11.07.1992)

No glorioso ano da graça de 1992, a cantora Sandyejúnior lançou o álbum sábado à noite.

Caso eu tivesse um mínimo de cultura, no dia 11 de julho de 1992, um sábado à noite, ficaria em casa apreciando tão importante obra na linha evolutiva da música brasileira. Mas, quá. Só quero saber de bola. E despenquei para a Velha Fonte Nova para assistir a primeira grande tragédia nacional do Vitória. Lutando por um triunfo simples para conquistar o título da Segundona contra o Paraná, o Leão passou a partida toda sem dar um chute a gol, num dos jogos mais apáticos da história do balipódio.

Putaquepariu!

Puxei o Cepacol do coldre e comecei a gritar e xingar, mas um amigo fez um sábio alerta. “Rapaz, pare com isso. Este time não merece nem sua vaia”.  

 

Vitória 1 x 2 Ponte Preta (19.12.2004)

Neste ano, o Vitória começou o campeonato de modo avassalador. Nas cinco primeiras rodadas, apenas uma derrota, um empate e três vitórias, sendo duas goleadas (6×1) no Paraná e (5×1) no Flamengo.

Mas, amigos, em verdade vos informo. A axé music prejudica não só a música brasileira, mas também o futebol. A máfia do dendê não é brincadeira. Capitaneados por Edílson Capetinha, que abriu uma casa de pagode, o Ed10, os jogadores rubro-negros caíram na gandaia. E a equipe caiu de produção. De candidato ao título, o time chegou à última rodada lutando contra o rebaixamento. Lutando é forma de falar. Completamente ressaqueados, os infelizes não esboçaram qualquer reação contra uma Ponte Preta que não almejava mais nada e estava sem cinco titulares.

É óbvio que a torcida também enchia a cara. E se todos assim procediam, não seria o rouco locutor que desta lei da natureza baiana iria ter isenção. E tome-lhe canjebrina. Acontece que tem uma lenda que vaia de bêbado não vale. Então, por isso, ao invés de apenas xingar, logo após o término deste jogo parti para cima do alambrado sem dó nem piedade. A cordial polícia baiana deu prosseguimento à folia com cassetetes e bomba de gás lacrimogênio, o que não influenciou no resultado da partida, mas melhorou consideravelmente minha embriaguez. Uma beleza. 

 Vitória 3 x 3 Portuguesa (10.09.2005)

Deste jogo, que selou a queda do Vitória para a inédita Terceirona, digo apenas que aconteceu uma das cenas mais constrangedoras da história do Parque Sócio-Ambiental de Canabrava, Santuário Ecológico Monumental, o Barradão.

Quem tiver curiosidade clique NESTE LINQUE e vá até o fim do relato.

 Vitória 3 x 4 Goiás (02.11.2003)

Se macumba ganhasse jogo o campeonato baiano terminava empatado.

Alguns dizem que esta frase é de Neném Prancha. Já outros, garantem que ela foi proferida por João Saldanha. Não importa. O fato é que, em se tratando do ludopédio, não devemos desprezar o Sobrenatural de Almeida. Não se pode cantar vitórias muito cedo nem mandar flores para a cova do inimigo (royalties para o bigodudo xibungo cearense, desculpem-me tantas redundâncias).

Pois muito bem. Exatamente no fatídico Dia de Finados o Vitória terminou o primeiro tempo metendo 3 x 0 no Goiás. Diante de tão dilatado placar, subi as arquibancadas e fui comemorar numa das quatro budegas do Estádio. Ainda embriagado, não acreditei quando o placar marcava 4 x 3 para o Goiás, de virada. Apesar de alguns afirmarem que quando bebemos esquecemos, garanto-lhes que uma humilhação movida a álcool é inolvidável.

 

Vitória 3 x 3 Grêmio (03.05.1997)

Por último, para encerrar a série, deixei exatamente a maior humilhação dos últimos tempos. Ser eliminado da Copa do Brasil duas vezes pelo Baraúnas, ainda vá lá. Agora, ser eliminado por um timeco do porte do Grêmio, que ainda por cima é tricolor, é quase que inacreditável.

Mesmo tendo perdido a partida de ida por 2 x0, eu sabia que era perfeitamente viável a classificação às semifinais. Eu e mais 40 mil fanáticos. E, realmente, mostramos que o time gaúcho não era de nada. E metemos três. Só que o miserávo do Júnior Touché (isto lá é nome de zagueiro) entregou a rapadura. E depois que terminou Vitória 3 x 3 Júnior Touché fiquei tão injuriado que voltei para casa andando, não sem antes parar em 946 bares.  Um pouco sobre esta saga e suas conseqüências  aqui, ó.

A HORA É AGORA!

Dezembro 16, 2008 por franciel

Só agora, passadas as regulamentares 48 horas, é possível fazer a imprescindível pergunta: que fenômeno foi aquele que assombrou o Rio Grande do Sul e uma banda de Santa Catarina no último final de semana?

Sei que, de acordo com as boas normas da argumentação, este parágrafo deveria ser usado para responder à indagação do anterior, mas fodam-se as regras argumentativas. Chuto-as para o mato que o jogo é de campeonato e faço uma nova inquirição: como foi que um bando de guris, acostumados apenas a esquentar a bunda no cimento da arquibancada, conseguiu realizar a maior revolução na história recente do futebol brasileiro, elegendo 23 comuns para compor o Conselho Deliberativo do Internacional?

Pois muito bem. Como tão alvissareiro acontecimento, que começou com uma mobilização na internet, se deu efetivamente, não sei. Mas, como diria o menino Chicó, “só sei que foi assim”. E sei também que eles mostraram que o impossível é só um desafio, conforme já haviam pichado nos muros de Paris outros e insolentes jovens. E, a partir de agora, a cartolagem velhaca vai ter que aprender a seguinte e nova lição: conviver com pessoas que nunca fizeram parte do seu reino de seres perversos. Não que estes novos sejam santos, e ninguém quer isso, mas são diferentes – o que não é pouco.

É óbvio que nem tudo que é bom para o Rio Grande do Sul é bom para a Bahia. Os gaúchos têm umas manias estranhas como chupar chimarrão e outros estranhos objetos que não valem à pena citar aqui, pois ainda há crianças no recinto neste horário. Mas, o que importa é que eles deram um belo exemplo de que podemos participar da construção de nosso clube. Cabe agora aos homens e mulheres de boa-vontade e de amor aos seus clubes seguirem a trilha.

Sei que esta convocação, como todas as convocações, soa um tanto quanto piegas e patética, mas o caminho da salvação está exatamente em não ter medo do ridículo. E olha que quem faz esta pregação é alguém com um (quase) incurável ranço pessimista. Em termos eleitorais, por exemplo, desde que me entendo por gente, isto é, por torcedor do Rubro-Negro, e lá se vão alguns séculos, guio-me pelos seguintes e sábios ensinamentos do menino Ken Livingstone: “Se eleição mudasse alguma coisa, os homens já teriam acabado com isso”.

Há cerca de um mês, por exempo, quando soube, via IMPEDIMENTO, que os tais meninos gaúchos estavam organizando a Chapa 3 para a disputa do Conselho do Inter, fiz uma cara de desprezo que é impossível reproduzir com palavras. E só não falei nada porque não queria tripudiar sobre sonhos alheios.

Porém, amigos, em verdade vos confesso: quando fiquei sabendo, pelo mesmo IMPEDIMENTO, que eles haviam conseguido…putaquepariu, que alegria do caralho!. Há tempos não sentia uma felicidade juvenil tão gostosa – talvez desde o inesquecível título de 1985, quando invadi o gramado da Velha Fonte Nova e as porra.

E, por causa da vitória dos guris gaúchos (Sim, vitória, afinal qual outra palavra para usar quando se consegue eleger 23 pessoas comuns num ambiente dominado por raposas?), mas eu dizia que por causa da vitória dos guris eu mandei às favas aquela minha convicção, aquele meu ceticismo de merda e resolvi convocar a nação Rubro-Negra a tomar o pulso da nossa história.

A eleição no Esporte Clube Vitória está marcada para a primeira quinzena de dezembro de 2010. Nela, os sócios com mais de 18 meses filiados ao clube têm direito a voto. É óbvio que o pleito aqui será majoritário, e não proporcional, praticamente inviabilizando a eleição de pessoas que não façam parte da antiga curriola. Mas, quem se importa? O que vale, a partir de agora, é seguir o exemplo dos torcedores do Inter e desafiar o impossível.

Vamos, rebáin de miséra, parem de sofrer e se lamentar. A HORA de se associar e começar a mudar a nossa história É AGORA.

O GRITO DOS INOCENTES

Dezembro 12, 2008 por franciel

As já frágeis estruturas do futebol brasileiro e, quiçá, sulamericano acabam de sofrer um forte abalo. E o motivo do furdunço é o seguinte: A Diretoria do Esporte Clube Vitória anunciou há poucos instantes a contratação de Neto Baiano e Roque, dois reconhecidos e consagrados gênios do pebolismo. O primeiro, para quem ainda não sabe, era reserva da Ponte Preta, a briosa macaca, que disputou a segunda divisão. Já o outro, com nome de música barulhenta e de lutador de filme ruim, labutou na Terceirona defendendo as cores do Guarani. Em que pese também não estar nos planos desta equipe campinense para o próximo ano, Roque deve ser um ás na lateral-esquerda (ala é a puta que o pariu), pois tem uma CARA de quem conhece e pratica o ludopédio em 18 idiomas. 

Pois bem. Perplexo diante de tão importantes e chocantes acontecimentos, fui buscar respostas nos recantos tradicionais. E mais uma vez consultei runas, búzios, tarôs, almanaques, bulas, evangelhos, capas de Veja, ciganos, pais e mães de santo – mas nada. Ninguém conseguiu explicar os motivos destas contratações que devem modificar até mesmo a inclinação do eixo do planeta terra. Então, para não deixar perpetuar o silêncio neste grave momento da nação, resolvi recorrer à voz divina do povo. E  no glorioso WWW.CANALECVITORIA.COM.BR encontrei, senão a salvação, ao menos um bálsamo para minhas aflições.
Ouçam o que disseram os torcedores. Começemos pela singela mensagem de um ouvinte que se apresenta com o nome de DITO. Às aspas.

TOMARA QUE A MÃE DESSE CARA DE AXÉ (nota da redação: presidente axezeiro do Rubro-Negro, Jorge Sampaio) ABRA AS PERNAS PARA ESSES CARAS,  NETO BAIANO E ROQUE. SÓ ASSIM ELE VAI SENTIR A MESMA A RAIVA QUE TÔ PASSANDO COM ESSAS CONTRATAÇÕES“.

Francklin, um reconhecido poliglota, largou a seguinte.

FILHOS DA PUTA, CADÊ AS CONTRATAÇOES DE PESO COMO NADSON, JOÃZINHO,PET E OUTROS??? NETO BAIANO E ROQUE SÃO PRESENTES DE GREGO!!! DEIXEM MEU VITORIA, FIGLIOS DI TROIA!!! VÀ FAN CULLO!!!”

Rita, uma moça educada, ironizou em caixa baixa.

 “pelo jeito rodrigão e tripodi não vão fazer muita falta, pois os substitutos (roque e neto) estão à altura”.

Mas o protesto voltou à caixa alta com Orlando Furioso que, honrando o sobrenome, não se conteve.

ESTOU PASSADO!!! QUE CONTRATAÇÕES PÉ-DE-CHINELO SÃO ESSAS, SR. JORGINHO CABEÇA DE PICA AMASSADA?

E, para finalizar, um outro, que assinou com o nome de Galera, fez a encarecida solicitação.

GALERA, NÃO VAMOS NOS ESTRESSAR À TOA. LEMBREMOS QUE ELES DISSERAM QUE SÃO QUATRO OU CINCO CONTRATAÇÕES ATÉ O FINAL DO ANO. ENTÃO, AINDA ESTÃO FALTANDO DUAS OU TRÊS. ISTO É SÓ O COMEÇO. VAMOS DEIXAR PARA ENFARTARMOS NA ULTIMA DIVULGAÇAO”.

Pois muito bem. Ao ouvir estas súplicas tão singelas e tão contidas, lembrei-me de outra manifestação,  igualmente singela e contida, protagonizada por um torcedor Rubro-Negro no dia 10 de setembro de 2005.

Seguinte. Na ocasião, o Vitória enfrentava a Portuguesa, precisando apenas de um simples triunfo para se livrar da Terceirona. Toda a torcida no Barradão estava aflita, mas ninguém assistia à peleja com a cara tão enfezada quanto à de um senhor negro e forte, com aparência de estivador. Ao lado da esposa, ele não movia um músculo da face.

Porém, quando o jogo terminou 3 x 3 e o Vitória foi rebaixado para a 3ª Divisão, ele subiu lentamente as arquibancadas, postou-se no último degrau e, na frente da esposa, começou a baixar as calças e a gritar: “ME COMAM, ME COMAM. PODEM ME COMER. UMA PESSOA QUE TORCE PARA UMA PORRA DE UM TIME DESSE SÓ PODE SER VIADO”.

 

P.S. 1 Alô, Jorge Sampaio? Você está me ouvindo? Sim? Então, vou lhe fazer uma proposta irrecusável. Seguinte. A partir de hoje asumo o compromisso de não lhe chamar mais de axezeiro, nem cabeça de pica amassada. Melhor ainda. Prometo que não usarei minhas bobas e hiperbólicas ironias para lhe criticar.
E em troca solicito apenas que você pare, de uma vez por todas, com estas contratações esdrúxulas. E peço não apenas por mim, mas principalmente pela esposa do referido estivador. Ela não merece rever/reviver aquelas cenas indignas que seu (lá dela) marido protagonizou naquele triste início de setembro de 2005.

Ficamos certos assim?

Então, Deus lhe pague.  

P.S.2 Pode acessar constantemente meu outro blog, o WWW.INGRESIA.OPENSADORSELVAGEM.ORG ,para comprovar que cumprirei a minha parte, seu cabeça de…ops, desculpe.

Mais um ato de generosidade do Leão

Dezembro 9, 2008 por franciel

Noves fora as presepadas no quartier latin, o ano da graça de 1974 está para o futebol assim como o de 1968 está para as chibanças comportamentais: um verdadeiro marco revolucionário.

E quando falo em revolução do ludopédio é óbvio que não me refiro ao tão aclamado Carrosel Holandês. Nero ar. A referida seleção apenas copiou um sistema desenvolvido no sertão baiano, conforme expliquei neste tratado futebolístico escrito em 4 de junho de 2005.

Mas, derivo. O que dizia é que 1974 representa um marco na história do balipódio por causa do time Rubro-Negro comandado por Bengalinha. Amigos, em verdade vos digo: Jamais houve na história do futebol tantos craques em uma só agremiação.

Para que vocês tenham uma idéia, os próprios jornalistas que cobriam a competição (esta raça de gente ruim) foram obrigados a admitir a belezura do futebol praticado por aquela equipe. E elegeram três jogadores do Vitória para a seleção do campeonato. Aliás, foi o único time com três atletas no Bola de Prata. Confiram.
Joel Mendes (Vitória); Nelinho (Cruzeiro), Figueroa (Inter-RS), Miguel (Vasco) e Vladimir (Corinthians); Dudu (Palmeiras) e Mário Sérgio (Vitória); Osni (Vitória), Zico (Flamengo), Luisinho (América-RJ) e Lula (Inter-RS).

Se vocês acham que isso ainda é pouco, informo-lhes que o Rubro-Negro baiano dava-se ao luxo de ter um craque da categoria de Jorge Valença no banco. Como dizemos aqui no Nordeste de Amaralina, depois da terceira ou quarta dose, “aquele time era sacanage, pai véi”.
É óbvio que, assim como os grandes times que encantaram o mundo (Hungria de Puskas, 1954, Portugal de Eusébio, 1966, Holanda e Sociedade Esportiva de Irecê, em 1974, e A Canarinho de 1982), o Esporte Clube Vitória não se sagrou campeão naquele ano. Afinal, para as equipes mágicas não importam títulos, mas apenas o essencial: dar espetáculos.

E o vitorioso naquele ano foi exatamente o Vasco da Gama que, no dia 18 de julho de 1974, contou com o auxílio luxuoso de Agomar Martins. O juiz ladrão gaúcho (desculpem tantas redundâncias) cometeu um dos maiores furtos da história da humanidade diante de 46.708 pagantes na Fonte Nova, prejudicando o Vitória contra o time da colina.

Talvez por isso, o apressado e impaciente ouvinte deve estar pensando que o banho de bola que o Rubro-Negro deu anteontem no Vasco foi apenas para se vingar deste referido episódio. Mas, eu lhes asseguro: Não foi apenas vingança, não. Foi, antes de tudo, um ato de generosidade do Leão. Mais um. Afinal, um time para ser um time de verdade precisa conhecer os gramados esburacados das divisões inferiores. É preciso morrer pra germinar. Sofrer e voltar a ser grande.

Por tudo isso, metemos 2 x0 no Vasco de Roberto Dinamite para que ele possa ressurgir em 2010. E, tenho a certeza, retornará exatamente na vaga do Carniça Futebol de Itinga.

E por que queremos o Vasco de volta, e não o outro? Só gostamos de bater em gente grande.